Meus últimos quatro dias não foram os melhores, mas ontem me colocaram para pensar sobre eles e sobre o que exatamente eles estavam tendo de diferente para me deixar não muito bem. Não conclui nada. Apenas descobri, sem concluir, que eu estava era me acostumando a uma constante felicidade e estava estranhando-a...
Descobri que eu já estava me acostumando tanto às coisas darem certo, que mesmo quando apenas um pensamento me atordoou um pouco, eu me senti a pessoa mais problemática do mundo... como se não aceitasse que algo pudesse interferir na minha anorme alegria e prazer em viver.
O fato é que eu estava permitindo que um pensamento bobo e, talvez, um probleminha, se tornasse um problemão; e ainda estava deixando isso me abater, o que estava sendo uma covardia comigo mesma.
Essa história toda, mais uma vez, me fez lembrar um trecho em que Clarice Lispector fala sobre sua descoberta das coisas boas, que até então só tinha ouvido falar, sem nunca ter aceito e sentido. Sei que já deve ter alguém aí cansado de ler Clarice aqui, mass... não vou para de colocar ela aqui por causa disso. Ela sempre diz quase tudo...
Eis o trecho:
"Erguia-se para uma nova manhã, docemente viva. E sua felicidade era pura como o reflexo do sol na água. Cada acontecimento vibrava em seu corpo como pequenas agulhas de cristal que se espedaçassem. Depois dos momentos curtos e profundos vivia com serenidade durante largo tempo, compreendeu, recebendo, resignando-se a tudo. Parecia-lhe fazer parte do verdadeiro mundo e estranhamente ter-se distanciado dos homens.
O que sucedia então? Milagrosamente vivia, liberta de todas as lembranças." (ruins) "Todo o passado se esfumaçara. E também o presente eram névoas, as doces e frescas névoas separando-a da realidade sólida, impedindo-a de tocá-la. Se rezasse, se pensasse seria para agradecer um corpo feito para o amor. A única verdade tornou-se aquela brandura onde mergulhara. Seu rosto era leve e impreciso, boiando entre os outros rostos opacos e seguros , como se ele ainda não pudesse adquirir apoio em qualquer expressão. Todo o seu corpo e sua alma perdiam os limites, misturavam-se, fundiam-se num só caos, suave e amorfo, lento e de movimentos vagos como matéria simplesmente viva. Era a renovação perfeita, a criação...
Aos poucos habituou-se ao novo estado, acostumou-se a respirar, a viver... Levemente surpreendida dilatava os olhos, percebia seu corpo mergulhado na confortável felicidade..."
Descobri que eu já estava me acostumando tanto às coisas darem certo, que mesmo quando apenas um pensamento me atordoou um pouco, eu me senti a pessoa mais problemática do mundo... como se não aceitasse que algo pudesse interferir na minha anorme alegria e prazer em viver.
O fato é que eu estava permitindo que um pensamento bobo e, talvez, um probleminha, se tornasse um problemão; e ainda estava deixando isso me abater, o que estava sendo uma covardia comigo mesma.
Essa história toda, mais uma vez, me fez lembrar um trecho em que Clarice Lispector fala sobre sua descoberta das coisas boas, que até então só tinha ouvido falar, sem nunca ter aceito e sentido. Sei que já deve ter alguém aí cansado de ler Clarice aqui, mass... não vou para de colocar ela aqui por causa disso. Ela sempre diz quase tudo...
Eis o trecho:
"Erguia-se para uma nova manhã, docemente viva. E sua felicidade era pura como o reflexo do sol na água. Cada acontecimento vibrava em seu corpo como pequenas agulhas de cristal que se espedaçassem. Depois dos momentos curtos e profundos vivia com serenidade durante largo tempo, compreendeu, recebendo, resignando-se a tudo. Parecia-lhe fazer parte do verdadeiro mundo e estranhamente ter-se distanciado dos homens.
O que sucedia então? Milagrosamente vivia, liberta de todas as lembranças." (ruins) "Todo o passado se esfumaçara. E também o presente eram névoas, as doces e frescas névoas separando-a da realidade sólida, impedindo-a de tocá-la. Se rezasse, se pensasse seria para agradecer um corpo feito para o amor. A única verdade tornou-se aquela brandura onde mergulhara. Seu rosto era leve e impreciso, boiando entre os outros rostos opacos e seguros , como se ele ainda não pudesse adquirir apoio em qualquer expressão. Todo o seu corpo e sua alma perdiam os limites, misturavam-se, fundiam-se num só caos, suave e amorfo, lento e de movimentos vagos como matéria simplesmente viva. Era a renovação perfeita, a criação...
Aos poucos habituou-se ao novo estado, acostumou-se a respirar, a viver... Levemente surpreendida dilatava os olhos, percebia seu corpo mergulhado na confortável felicidade..."