segunda-feira, 28 de março de 2011

Depois das 01:00 hrs

Ver como a caneta escorrega no papel sempre me lembra você.
Eu sei que não deveria lembrar, uma vez que você prefere digitar tudo ao invés de escrever a punho antes. Mas não sei. Todas as vezes que leio o que você escreve, só consigo imaginá-lo escrevendo deitado na cama ou com uma mesa vazia, onde você tem uma ou duas folhas velhas apoiadas num livro e você escreve com uma caneta quase sem tinta. Escreve com voracidade, como se cada palavra escrita pudesse fazê-lo esquecer-se de qual seria a próxima, ainda que uma não seja completa sem a outra.
Só consigo imaginá-lo escrevendo lembrando-se da lua, como se ela te ditasse as palavras e você as associasse com todos os seus sonhos da juventude.
Vejo bem você pedindo pra lua repetir a última palavra quase sussurrada, e você escolhendo qual seria o melhor sentimento para combinar com tal.
Você é fácil de entender. Basta ver a expressão que sai dos seus cílios e do modo como você franze a testa e juntar com o modo com o qual você coloca e tira as mãos do bolso repetidamente, sem perceber. O jeito como você tenta não sorrir enquanto fala de si mesmo, se gabando de todas as atitudes que nunca tomou, que o tornam tão superior a tudo, por mais que isso seja quase impossível para tanta gente.
Eu gosto de ver você escrever. Sonho com você escrevendo e tenho absoluta certeza de que não é só nos meus sonhos que você escreve assim.
Você se veste de xadrez para escrever. Se sente mais livre assim. E sempre acorda atrasado com a desculpa de que não conseguiu dormir. Mas não me engana. Eu sei que as pálpebras dos seus olhos custavam se firmar quando você escrevia a última linha...
No dia seguinte, você sempre se desespera quando acha tudo, porque não lembra de ter escrito tudo aquilo, mesmo que todas as palavras te descrevam inteiramente.

Em cada carta sua, eu posso ver o seu reflexo enquanto a escrevia.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Torre Vermelha

Deixa eu te pegar e te levar ao escuro do universo, sentindo dores ao redor de suas capacidades.
Você não vai me abandonar como disse que iria, porque você também vive pela minha instabilidade.
Você se arrepende todas as vezes que vai embora, porque sabe que minha sensatez se esvai no exato instante da sua partida.
Eu sei que você sempre inventa algo a me devolver, retribuir ou agradecer, para que eu sempre faça mais coisas e você sempre me deva mais e mais e, assim entremos num círculo vicioso.
Eu sei que os planos que você faz e nunca conclui são apenas meios de prolongar nossas espectativas.
Sei também que por mais que você negue, pensa em nós o tempo todo. Agindo assim, de forma identica a minha.Justificar
Sei que todas as noites antes de dormir você brinca com seu cachorro, bebe dois copos d'água, se olha no espelho por mais ou menos 10 minutos e, por último, pensa em bobagens da vida até pegar no sono.
Sei que foge dos seus sonhos enquanto dorme.

Deixa eu te sequestrar pro meu mundo pequeno, egoísta e sádico. Deixa eu te ser, te sentir, te devolver em dobro tudo o que você me deu e me dá a cada reencontro. Não maltrate minha ansiedade.
Eu sei que você se esguia de todos os sentimentos que te tentam, especialmente dos meus, pelo bem que isso pode te fazer; assim como sei que prefere sofrer a ter a paz e a estabilidade da felicidade.
Vem logo e me toma pra si, e depois me deixa fugir de novo, e de novo. Porque sabemos que esse é o único modo de estarmos sempre juntos. Se deixa me pertencer. Me deixa te levar. Me leva.



Existe um castelo vermelho bem longe, que nos acolhe, nos esquenta e nos esconde em todos os sonhos.