segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Outra droga

"-Então, infelizmente, preciso de você. E você precisa de mim.
-Não preciso.
-Precisa, sim.
-Não preciso.
-Precisa, sim.
-Pare. Não diga mais isso.
-Precisa de alguém que cuide de você.
-Não preciso.
-Todo mundo precisa.
-Vou precisar mais de você do que você de mim.
-Tudo bem.
-Não, não é certo! Não é justo. Tem lugares aos quais quero ir.
-E você irá. Talvez eu tenha de carregá-la.
-Não posso exigir isso de você.
-Você não exigiu. Ei, vamos dizer, que em algum universo alternativo, exista um casal como nós, está bem?
Só que ela é saudável e ele é perfeito. E o mundo deles gira em torno de o quanto eles vão gastar nas férias, ou quem está de mau humor, ou se eles sentem culpa por terem uma faxineira.
Não quero ser um deles. Quero ser como nós. Quero você. Quero o que temos. "

Trecho de O amor e outras drogas.




I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost
In the sounds
And it breaks my heart
And it breaks my heart

Regina Spektor

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sentir sem dor

Ao som de 3x4 sentia a pele murchar e o corpo a ponto de explodir.
A tristeza enchia o pequeno cômodo como se fosse água. Mas uma água gelada e que não deixa o corpo afundar.
A gravidade parece só existir do lado de fora.
Do lado de fora tudo afunda, rola... escolhe alguma coisa e segue seu rumo.
Dentro não. Do lado de dentro tem a água que deixa tudo absorto. Que só deixa escolher o canto mais adequado para flutuar. Pra flutuar sobre as coisas e sobre as tristezas.
"Tristezas" assim mesmo; com esse ar clichê e previsível... nada inovador.
Ela sequer deixa afundar, para depois subir e resgatar o fôlego.
Ela faz questão de mostrar tudo turvo e mesclado ao fundo, e não deixar nada afundar pra descobrir o que é; e depois resgatar o ar com a mesma euforia que sentiu no fundo, vendo tudo claro.

Meio que uma biblioteca com todos os livros de poesia desorganizados, e que se leva anos para encontrar a poesia que se encaixava perfeitamente com o romance de 30 anos atrás, quando se começou a procurar. Todos os livros de contos estão ao alcance... mas a poesia, a que traduz mesmo, parece se esconder.


É isso: uma água gelada que a mantém boiando e uma poesia desaparecida.