segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sentir sem dor

Ao som de 3x4 sentia a pele murchar e o corpo a ponto de explodir.
A tristeza enchia o pequeno cômodo como se fosse água. Mas uma água gelada e que não deixa o corpo afundar.
A gravidade parece só existir do lado de fora.
Do lado de fora tudo afunda, rola... escolhe alguma coisa e segue seu rumo.
Dentro não. Do lado de dentro tem a água que deixa tudo absorto. Que só deixa escolher o canto mais adequado para flutuar. Pra flutuar sobre as coisas e sobre as tristezas.
"Tristezas" assim mesmo; com esse ar clichê e previsível... nada inovador.
Ela sequer deixa afundar, para depois subir e resgatar o fôlego.
Ela faz questão de mostrar tudo turvo e mesclado ao fundo, e não deixar nada afundar pra descobrir o que é; e depois resgatar o ar com a mesma euforia que sentiu no fundo, vendo tudo claro.

Meio que uma biblioteca com todos os livros de poesia desorganizados, e que se leva anos para encontrar a poesia que se encaixava perfeitamente com o romance de 30 anos atrás, quando se começou a procurar. Todos os livros de contos estão ao alcance... mas a poesia, a que traduz mesmo, parece se esconder.


É isso: uma água gelada que a mantém boiando e uma poesia desaparecida.


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